UMA SEMANA APÓS O ACIDENTE NA BR 116, EQUIPES RELEMBRAM O TRABALHO DE RESGATE
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O site Papareia News conversou com integrantes das equipes de resgate para ouvir seus relatos. Fotos: Divulgação/Arquivos pessoais
Nesta sexta-feira (9), um dos mais trágicos acidentes da história da BR 116 completa uma semana. O ônibus, da empresa Santa Silvana, que havia saído da rodoviária de Pelotas às 10h30, com destino a São Lourenço do Sul, iniciou uma viagem que seria interrompida por uma colisão frontal com um caminhão, na altura do km 491.
Segundo a estimativa da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no momento do acidente havia 27 pessoas no interior do coletivo, 11 delas morreram no local, 11 ficaram feridas e outras cinco não tiveram ferimentos. No total, a operação de resgate dos feridos e de remoção dos corpos e dos veículos teve duração de mais de dez horas.
O trabalho contou com a participação de equipes de socorro médico e de inspeção de tráfego da Ecovias Sul, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), da PRF e do Corpo de Bombeiros, em uma atuação que exigiu integração entre os profissionais. Ao longo dessa semana, o site Papareia News conversou com alguns deles para ouvir seus relatos.
A médica Julie Mirapalheta, responsável pela equipe de resgate da Ecovias Sul mobilizada para o atendimento, recordou a situação encontrada no local no momento da chegada. “O cenário era crítico, com múltiplas vítimas, muitas pessoas em estado de choque e solicitando ajuda, o que exigiu organização imediata e tomada rápida de decisões”, disse.
Ainda durante o deslocamento, Julie contou ter feito contato com o SAMU solicitando apoio operacional e também avisou o pronto-socorro, com o objetivo de preparar a unidade para o recebimento das vítimas. “O contato prévio com o pronto-socorro foi determinante para garantir a prontidão da equipe hospitalar e a continuidade do cuidado”, completou.
“O que mais me chamou a atenção foi o alto nível de trabalho em equipe e a união de todos os profissionais. Enquanto parte da equipe atuava diretamente no interior do ônibus, outros profissionais permaneciam na área externa oferecendo suporte logístico, organização da cena e apoio às vítimas, o que foi fundamental para o sucesso da operação”, finalizou Julie.
Bombeiro há 22 anos, o primeiro tenente Rogério Colares estava naquela sexta-feira exercendo a função de oficial do dia, ficando responsável pelas ocorrências em toda a área de atuação do 3º Batalhão de Bombeiro Militar (BBM), que abrange as cidades de Rio Grande, São José do Norte, Pelotas, Santa Vitória do Palmar, Jaguarão e Canguçu.
O oficial lembrou que foi acionado pouco depois do meio-dia e ao chegar no local a guarnição de Pelotas já estava realizando o primeiro atendimento. A fim de ampliar as frentes de trabalho, ele contou que houve o acionamento das equipes de serviço nas cidades de São Lourenço do Sul e de Canguçu, totalizando 15 militares.
Segundo ele, o grande desafio da ocorrência foi a quantidade de vítimas envolvidas no acidente. Os passageiros que estavam a partir da poltrona de número 12 e que não apresentavam ferimentos conseguiram escapar pela parte de trás do veículo, enquanto os demais necessitaram de auxílio por ficarem presos às ferragens e aos bancos.
“Em um primeiro momento, nós fizemos a retirada das pessoas com vida, inclusive o motorista do caminhão, e posteriormente nós retiramos a caçamba de cima, uma vez que não se via mais ninguém, e também pela cinemática pode se perceber que não havia mais pessoas vivas naquele local, tamanha a violência da batida”, recordou ele.
Ainda segundo o tenente Colares, o fato das vítimas fatais estarem portando documentos auxiliou no processo de identificação, realizado ainda no local, em conjunto com os peritos criminais do Instituto-Geral de Perícias (IGP).
“O Corpo de Bombeiros foi desafiado, pois se tratava de muita gente ao mesmo tempo, então nossa maior dificuldade foi o acesso às vítimas, pois todos os bancos da parte da frente foram deslocados e, além de ficarem prensadas nas poltronas, elas ainda tiveram fraturas em seus membros inferiores”, explicou ele.
Chefe da Delegacia da PRF, em Pelotas, o agente Daniel Pitrez contou que a equipe mais próxima ao acidente estava realizando uma operação com o uso do radar móvel, no km 89 da BR 392, ponto distante 43 quilômetros do local do acidente. Após tomar ciência do fato, os policiais deslocaram imediatamente.
De forma simultânea, houve a determinação de que as equipes de serviço em outras bases operacionais se dirigissem para apoio, em razão da gravidade. Ao chegar no local, a primeira equipe encontrou um cenário de caos, com muitas pessoas feridas e outras ilesas caminhando no entorno, além da presença de socorristas.
“Como o serviço de remoção de vítimas é um trabalho técnico e havia um grande número de profissionais capacitados no local, a PRF ficou responsável pela manutenção do isolamento do local, atendimento às famílias das vítimas que chegavam a todo momento, bem como pela mitigação no aumento da formação de filas”, detalhou Pitrez.
Na ocasião, a PRF também orientou a Ecovias Sul para que nas praças de pedágio da concessionária os motoristas fossem alertados sobre a gravidade do acidente, a existência de bloqueio total da rodovia e a possibilidade de rotas alternativas.
“O Laudo Pericial de Sinistro de Trânsito será entregue à polícia judiciária juntamente com um relatório complementar, documentos que subsidiarão o conjunto probatório, aliado ao laudo do IGP, e demais providências que a Polícia Civil entender necessárias para a elucidação e formalização do indiciamento do responsável”, finalizou Pitrez.
Rodrigo de Aguiar
